Encerramento das Atividades

Há quase três anos, eu começava o CineBooks como uma maneira de falar de livros. Eu sempre li muito e ficava frustrada por não ter quase ninguém com quem dividir minhas opiniões, então o blog virou uma forma de transformar pensamentos em palavras e entrar em contato com outros malucos por livros como eu.

Foram mais de dois anos de muitas alegrias. Por ver o blog crescer, por ver o blog mudar, por ver meu jeito de resenhar melhorando, por dividir toda semana muitas e muitas opiniões com vocês. Mas esfriou. E foi murchando. E chegamos aqui.

Não desisti do blog, mas a rotina foi me deixando cada vez mais cansada e de repente eu não sentia mais prazer em resenhar. Isso, somado à falta de tempo, me fez praticamente abandonar um espaço que pra mim sempre foi sagrado. Mas por respeito a mim mesma, não quis insistir. Mantive o blog aberto na esperança de retomar as coisas de onde as tinha deixado.

Ao invés disso, surgiu entre mim e meus amigos uma nova ideia: a de criarmos um blog em conjunto. Esse blog não seria só mais um blog literário, mas uma extensão de um projeto que se iniciou em 2007 no falecido Orkut - a Nossos Romances Adolescentes, uma comunidade onde eu, eles e muitas outras pessoas iniciamos nosso sonho de nos tornarmos escritores. Com a queda do Orkut, ficou o desejo de transpormos a NRA pra algum outro formato onde as pessoas ainda pudessem descobri-la, e então surgiu a ideia do blog.

E é por isso que hoje declaro o fim que já vinha sendo adiado a algum tempo. Bom, talvez não um fim, mas um recomeço. O CineBooks continuará aberto a quem quiser consultar seus conteúdos passados, mas a partir de Dezembro estarei escrevendo para o blog da NRA - blog esse que ainda está para estrear, mas que já tem twitter e página no facebook. Fiquem de olho. Muitas boas surpresas ainda virão por lá ;)

Muito obrigada a todos por me acompanharem nesses anos. Espero poder contar com vocês também nesse novo projeto :)

Beijocas,
Larissa

Lonely Hearts Club


Edição: 1
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570496
Ano: 2011
Páginas: 238

De duas coisas a jovem Penny Lane Bloom estava absolutamente certa: as músicas dos Beatles eram uma perfeita tradução de sua vida, e ela e Nate, seu amor de infância, um dia iriam se casar. Pelo menos esse era o plano, era assim que as coisas faziam sentido. Até ela descobrir que o Nate que ela amava não existia, e que o cara perfeito a estava traindo com deus sabe quantas outras por aí.
Foi a gota d'água. Somando a maior decepção de sua vida a um histórico de caras babacas que já a haviam feito sofrer, Penny se dá conta de que os garotos são os verdadeiros disseminadores do mal, e que desse veneno ela nunca mais quer provar. E, pra ajudar a superar essa desilusão, ela começa o Lonely Hearts Club (Clube dos Corações Solitários), jurando não namorar nenhum outro garoto enquanto estiver no colégio.
O que era um clube de uma garota só, logo atrai mais seguidoras, começando por Diane, uma antiga amiga de Penny que se afastou dela ao começar a namorar Ryan. Mas agora que o namoro acabou, Diane percebeu que tinha desperdiçado sua vida e sua própria identidade pra viver por um garoto. Não que Ryan a tenha feito sofrer, mas quanta coisa ela tinha jogado fora por ele?
Uma a uma, dezenas de garotas se juntam a Penny Lane em sua busca por força e superação, e o que era um clubinho com o intuito de rechaçar namoros se torna uma forte e poderosa amizade entre muitas, capaz de causar inveja, mas também de uni-las. Só que, ao mesmo tempo, a amizade entre Penny e Ryan também começa a se intensificar, e a linha entre amor e amizade fica cada vez mais difícil de ser identificada. E o que será do Lonely Hearts Club se sua venerada líder acabar, sem querer, se apaixonando?
Ganhei este livro a mais de um ano atrás, e depois de lê-lo literalmente em um dia (comecei hoje à tarde e terminei não tem nem meia hora) eu me arrependo profundamente de não tê-lo passado pra frente da fila muito antes. Lonely Hearts Club é exatamente tudo que a gente precisa ler quando está desanimada com a vida (especialmente a amorosa): uma mensagem de força, de amizade, e, porque não, de fé no amor e nos recomeços.
Com o seu clima super leve e teen, as suas 200 e poucas páginas são rápidas de serem devoradas. A história é extremamente simples, mas nem por isso deixa de ser, em algum nível, profunda. Acho que qualquer pessoa, garoto ou garota, que o ler, vai identificar rapidinho sintomas clássicos de amor juvenil lendo essas páginas. Quanto de nós já fomos aquela pessoa (ou conhecemos pelo menos um amigo que seja) que se anula em função de outro, que dispensa amigos pra ficar com o namorado, que dá prioridade ao outro ao invés de si mesmo? Quantas amizades já não se perderam por uma paixonite boba, quantas vezes a gente não se arrependeu de não ter se priorizado quando uma relação acaba? E, claro, quem nunca deu com a cara no chão com uma decepção amorosa particularmente dolorida?
Esse é o universo de Lonely Hearts Club, extremamente juvenil, atual, simples e identificável. E, claro, muito gostosinho de ler. A mensagem maior e mais bonita, é claro, é a da amizade - é impressionante o quanto todas aquelas garotas juntas se fortalecem e ajudam umas as outras, e faz com que a gente pare e pense um pouquinho também sobre o que seria da nossa vida sem os nossos verdadeiros amigos. Mas não dá pra deixar de notar, com uma pontadinha de alegria no coração, aquele saborzinho doce de esperança em achar a pessoa certa que fica ao fecharmos o livro. Porque, por mais que a gente quebre a cara uma, duas, dez vezes, não são TODOS ruins: existe alguém por aí que vale a pena, e uma hora a gente acerta na escolha. É só não se afobar. É só não se anular. É só saber viver :)
Avaliação: ♥♥♥♥♥
Beijocas pra vocês,
Larissa

Lixo Extraordinário


Título Original: Waste Land
Direção: João Jardim, Karen Harley, Lucy Walker
Ano: 2011
Duração: 94 minutos

Ao longo de quase três anos, o artista plástico brasileiro Vik Muniz deixa sua casa e seu ateliê em Nova York para ir ao Rio de Janeiro para realizar uma nova obra num dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, onde dezenas de catadores de material reciclável extraem diariamente o produto de seu sustento.
Inicialmente, a ideia era simples: Vik tiraria fotos destes catadores, e o dinheiro obtido através da venda seria revertido para ações comunitárias no próprio Jardim Gramacho. Mas com o passar do tempo, Vik acaba se envolvendo e criando uma certa amizade com vários daqueles catadores, agora parte de seu dia-a-dia. O projeto se expande, e o que eram apenas fotos irão agora se transformar em verdadeiras obras de arte.
Com a ajuda destes mesmos catadores fotografados, Vik dará forma às fotos através de material reciclado, montando e colorindo as figuras com coisas que outras pessoas jogaram fora. Uma vez prontas, as figuras - feitas em escala gigantescas - eram fotografadas por Vik, desfeitas e davam lugar a novas fotos.
Um dos frutos deste trabalho intenso (esta imagem aí que está no pôster do filme) foi levado para um leilão em Londres, e vendido pelo equivalente a quase 100 mil reais, dinheiro que transformou para sempre a vida da comunidade do Jardim Gramacho e de seus moradores.
Desde a indicação do filme ao Oscar em 2011 que eu quero assisti-lo. Já tinha ouvido falar da história através de jornais, na TV ou em revistas, mas tudo era de uma perspectiva muito rápida que só passava por cima dos acontecimentos - a pontinha do iceberg.
Assistir Lixo Extraordinário faz com que a gente salte desta perspectiva superficial pra uma mais profunda, onde mais do que descobrirmos como funciona o trabalho de Vik Muniz e sua exploração pelo aterro sanitário, somos introduzidos à vida de alguns personagens importantes dessa história: os catadores. Gente como o Tião, que liderava o sindicato e lutava pelos direitos dos catadores do Jardim Gramacho, e cuja foto acabou sendo vendida no leilão que ele foi pessoalmente acompanhar; Suellem, de 18 anos, já com dois filhos que ela não podia ver porque passava a semana toda fora de casa pra trabalhar no aterro; Isis, cuja filha havia sido tirada dela pelo ex-marido, e ela nunca mais os vira; entre tantos outros, cada um com uma história única e marcante de luta pela sobrevivência, de humildade, simplicidade e, de alguma forma, de alegria.
Achei o filme incrível justamente por isso, pelas histórias. Vik Muniz é só o meio através do qual somos apresentados a elas. A arte e mesmo o lixão são, de alguma forma, secundário perto desses personagens de histórias tão comuns e ao mesmo tempo tão peculiares. E é muito legal acompanhar o crescimento deles - bem como descobrir seus "finais" - ao longo do filme.
Avaliação: ♥♥♥♥



Fico por aqui!
Bom final de semana,
Larissa

Sabrina


Título Original: Sabrina
Direção: Billy Wilder
Roteiro: Billy Wilder, Ernest Lehman, Samuel A. Taylor
Ano: 1954
Duração: 114 minutos

A jovem Sabrina é filha do chofer dos Larrabee, uma família rica e tradicional cujos dois filhos são incrivelmente opostos: enquanto Linus, o filho mais velho, é um workaholic que se comprometeu a assumir o grupo comercial da família, e que respira e transpira trabalho, enquanto David é um cara despreocupado que só quer saber mesmo é de curtir a vida. E é por esse mulherengo, boêmio e boa vida por quem Sabrina é completamente apaixonada durante toda a sua vida.
Mas David, é claro, nunca olhou pra ela - só tinha olhos pras moças de famílias ricas que frequentavam a mesma nata da sociedade que ele. E é por isso que Sabrina é mandada pelo pai para morar na boa e bela Paris, onde, eles esperam, ela estará longe o bastante pra superar essa paixão. Lá, Sabrina deverá estudar pra se tornar uma cheff de cozinha. Contudo, nem dois anos de ausência conseguem apagar este amor.
Quando retorna, Sabrina está mudada: mais velha, mais madura, mais sofisticada e infinitamente mais confiante. Imediatamente ela atrai os olhares de David, agora enfim capaz de enxergá-la, o que bota a perder os planos de seu irmão de casá-lo com uma garota cuja família pretende fundir seu grupo empresarial ao dos Larrabee uma vez que o casamento aconteça. Para afastar a garota dele, Linus banca o agente duplo: diz ao irmão que o apóia, enquanto lentamente faz com que Sabrina se apaixone por ele. Linus apenas não esperava que ele, sem querer, também acabasse se apaixonando por ela...
Por contar com a lindíssima Audrey Hepburn, Sabrina estava na minha wishlist há eras. Quando finalmente consegui colocar minhas mãos nele, não quis esperar muito pra assistir.
É difícil encaixar um filme como Sabrina numa categoria única. Tem o charme de um romance da década de 1950, e o humor aguçado do jeito como todo filme do Billy Wildes tende a ter, mas não é nem somente cômico nem apenas açucarado. É um daqueles filmes que tem um gênero próprio, um clima bom e um enredo simples e verossímil: uma mistura de "baba baby" com novela das oito, alguma coisa sem muito dramalhão, nem muita forçada de barra, nem nenhum exagero em qualquer nível.
O mais legal de Sabrina é justamente isso: não existem exageros. Tudo é extremamente trabalhado na sutileza, naquele tom elegante e agradável que faz a gente assistir um filme por quase duas horas e achar que ele acabou de começar. Tem diálogos excelentes e muito do enredo e dos personagens se percebe nas pequenas ações, olhares e detalhes a que a gente nem sempre costuma prestar atenção. Todos os personagens tem características únicas, que traçam seu desenvolvimento de uma maneira muito perceptível e muito legal de se ver :) E além disso tudo, tem aquele charme da trilha sonora e do preto e branco, como só se vê nos filmes clássicos do cinema.
Avaliação: ♥♥♥♥♥
Fico por aqui!
Beijocas,
Larissa

17 Outra Vez


Título Original: 17 Again
Direção: Burr Steers
Roteiro: Jason Filardi
Duração: 102 minutos
Ano: 2009

Há vinte anos atrás, Mike tomou a decisão que mudou toda a sua vida: ele abandonou o sonho de jogar basquete pelo time da faculdade para correr atrás de Scarlett, sua namorada, e se casar com ela.
Duas décadas depois, o conto de fadas está a um passo de terminar. Depois de anos casados e com dois filhos adolescentes, o casal está passando por uma fase ruim e acertando o divórcio, apesar de ainda se amarem. Inconformado com o rumo que sua vida tomou, Mike deseja poder voltar no tempo e fazer tudo diferente - e, após um encontro misterioso com um suposto zelador do colégio de seus filhos, ele pode.
Na manhã seguinte, Mike volta a ter 17 anos, e tem a genial ideia de refazer sua vida. Com a ajuda de Ned, seu melhor amigo, ele se matricula no antigo colégio, onde agora seus filhos estudam, e resolve que vai fazer tudo que não fez vinte anos antes. Só que, coincidência ou não, o destino o aproxima de seu filho, Alex, e faz com que Mike (agora chamado de Mark) consiga se reaproximar de sua família e perceba que aquela segunda chance não foi pra que ele refizesse suas escolhas, mas pra que refizesse sua família.
Lembro que quando o filme foi lançado, em 2009, eu estava no meio do meu intercâmbio, e fiquei irritada porque eu vi os trailers no cinema, mas o filme não foi lançado na cidade onde eu estava morando. Desde aquela época, eu queria assistir o filme, mas nunca tive oportunidade, por uma razão ou outra.
17 Outra Vez traz aquele humor carregado de lições de vida que a gente costuma presenciar nos filmes de Adam Sandler. Mas ao invés dele, temos no elenco Zac Efron e o eterno Chandler, Matthew Perry (que infelizmente teve uma participação muito pequena no filme, visto que mais de metade dele se passa com seu personagem de volta à puberdade).
Como era de se esperar, temos uma enxurrada de situações cômicas a que Mike é submetido, pequenas provações que vão desde embates com sabres de luz com seu melhor amigo - que se vê relutante em acreditar que ele é ele mesmo - até ter que fugir de sua filha, ao tentar beijá-lo - qualquer semelhança com De Volta Para o Futuro NÃO é mera coincidência, né? Dei muita risada nos vários momentos em que Mike entra em ciladas ou dá foras sem se dar conta, e em como tenta contornar essas situações.
Mas também tem seus momentos de clichê e discursos que dão um tantinho de vergonha alheia. Sabe aquelas cenas/momentos dos personagens que você vira e pensa "nenhuma pessoa normal poderia sequer pensar em fazer isso?" Pois é, tem muito dessas. Mas qual filme de comédia não tem, né? Inserindo discursos profundos aqui e ali e fazendo com que Mike aja de maneira absolutamente antinatural, o roteiro peca (e pesa) em alguns momentos, numa coisa meio apelativa que, ao invés de me fazer dar risada, só fez com que eu virasse a cara com vergonha alheia.
Mas faz parte, e os momentos ruins não são tantos pra desmerecer os pontos altos. 17 Outra Vez é um filme super engraçado que, de alguma maneira, faz com que a gente se pregunte o que faria se pudesse voltar no tempo e retomar as nossas escolhas. Aquilo que você decidiu no passado fez de você quem é hoje - e isso é mesmo tão ruim assim?
Avaliação: ♥♥♥♥



xoxo,
Larissa
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